PBH lança programa para redução de impactos das mudanças climáticas
Por: Priscila Mendes/Jornalismo Light FM*
Foto: Suziane Brugnara/PBH
Belo Horizonte deu mais um passo na agenda de adaptação às mudanças climáticas com o lançamento oficial do programa BH Cidade Viva – A natureza protegendo o nosso futuro, realizado nesta terça-feira (7), no Auditório JK da Prefeitura. A iniciativa reúne ações para reduzir alagamentos, amenizar as ilhas de calor e recuperar áreas verdes por meio de soluções baseadas na natureza.
A cerimônia contou com a presença do prefeito Álvaro Damião, do secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro, e de representantes dos parceiros internacionais do programa, entre eles a co-diretora do C40 Cities Finance Facility (CFF), Ingrid Simon, e a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), além do Consulado Britânico, do Consulado Honorário da Alemanha em Belo Horizonte e de autoridades brasileiras e internacionais.
O prefeito Álvaro Damião comemorou a parceria que se soma as estratégias já adotadas por BH para enfrentamento das intempéries climáticas. “Um dia importante para a gente aqui em Belo Horizonte. É o dia que a gente assina uma cooperação internacional que vai viabilizar financeiramente o projeto Cidade Viva, que nós construímos para poder desconcretar Belo Horizonte”, disse.
“Você se prepara para as fortes chuvas, não é esperando a chuva acabar para que ela possa testar a bacia de contenção que você fez. Você testa durante todo o ano através de um trabalho preventivo, e esse é um trabalho preventivo. A água tem que cair, e ao invés de correr para um bueiro, que ela encontre uma grama, que ela encontre terra para que não precise nem chegar ao bueiro”, completou o prefeito Álvaro Damião.
Durante o evento, foram assinados o decreto que institui o Programa BH Cidade Viva – A natureza protegendo o nosso futuro e o Memorando de Entendimento entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o Cities Finance Facility (CFF). A cooperação internacional já garantiu mais de R$ 15 milhões em doações para a elaboração de estudos, projetos e modelagens que vão orientar a implantação das intervenções previstas pelo programa, fortalecendo a adaptação climática e o planejamento urbano sustentável da capital.
As primeiras intervenções do BH Cidade Viva vão transformar a paisagem de Venda Nova e beneficiar diretamente mais de 60 mil moradores. O projeto prevê a implantação de um parque ciliar agroflorestal com mais de 350 mil metros quadrados, que vai recuperar áreas às margens dos cursos d’água e, ao mesmo tempo, criar um modelo de geração de renda para a comunidade.
O espaço será destinado ao cultivo de hortas, frutas e outras espécies agroflorestais, cuja produção poderá ser comercializada pelos moradores, conciliando preservação ambiental, segurança alimentar e desenvolvimento local. O programa também prevê quase 13 quilômetros de rotas verdes, com mais árvores, sombra e espaços qualificados para quem caminha entre casa, escola e equipamentos públicos, tornando esses percursos mais seguros, confortáveis e preparados para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Quatro equipamentos públicos, sendo duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEF), uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Lagoa, terão os pátios desconcretados e transformados em áreas verdes, com jardins, telhados verdes e sistemas de captação de água da chuva. Ao todo, serão implantados mais de 37 mil metros quadrados dessas estruturas, que armazenam e ajudam a infiltrar a água das chuvas no solo, reduzindo alagamentos e contribuindo para amenizar o calor.
As intervenções tornarão esses espaços mais frescos, resilientes e preparados para enfrentar as ondas de calor. O programa também prevê a implantação de dois campos de futebol hídricos, projetados para absorver a água das chuvas e reduzir o escoamento superficial.
Primeiro jardim de chuva em Venda Nova marca lançamento do programa
A Escola Municipal Professor Moacyr Andrade, em Venda Nova, vai receber o primeiro jardim de chuva implantado pelo BH Cidade Viva. Desenvolvida de forma colaborativa por estudantes, pesquisadores e técnicos da Prefeitura de Belo Horizonte, a estrutura representa a primeira entrega física do programa e marca o início das intervenções voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas nos territórios.
Mais do que uma solução para drenagem urbana, o jardim de chuva dá o pontapé inicial a uma nova forma de planejar a cidade. A partir dessa experiência, o BH Cidade Viva começa a implantar ações voltadas à criação de rotas mais arborizadas e confortáveis para quem caminha entre casa, escolas, unidades de saúde, equipamentos de assistência social e outros espaços públicos. A estratégia busca reduzir as ilhas de calor, ampliar as áreas verdes, aumentar a infiltração da água da chuva no solo e construir uma cidade mais resiliente, saudável e preparada para os impactos das mudanças climáticas.
Além das intervenções em Venda Nova, o BH Cidade Viva prevê a implantação de corredores ecológicos nas vias definidas como conexões verdes pelo Plano Diretor, parques ciliares, sistemas de drenagem sustentável, ciclovias, estruturas para captação de águas pluviais em escolas e unidades de saúde, recuperação de nascentes e a transformação de pátios escolares em áreas verdes. O programa também estabelece um modelo de governança participativa, envolvendo moradores, escolas, universidades e instituições parceiras na implantação e manutenção das intervenções.
O projeto, a execução, os cuidados e o monitoramento do jardim de chuva contam com a parceria da comunidade escolar, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) – Campus Santa Luzia e de estudantes internacionais do Programa Delfín, iniciativa de intercâmbio científico que reúne instituições da América Latina. O espaço funcionará como um laboratório a céu aberto para monitorar a qualidade da água, reduzir o escoamento superficial, avaliar a diminuição da temperatura e acompanhar o aumento da biodiversidade local, servindo de referência para futuras intervenções do BH Cidade Viva.
Desenvolvido de forma participativa com a comunidade escolar da Escola Municipal Professor Moacyr Andrade, o jardim de chuva reúne professores, estudantes, pesquisadores e técnicos da Prefeitura em um modelo de construção coletiva. Com a própria comunidade assumindo o protagonismo dos cuidados e da manutenção do espaço, a iniciativa consolida um modelo de resiliência climática, educação ambiental e participação cidadã que poderá ser replicado em outras regiões da cidade.
Os jardins de chuva são soluções baseadas na natureza projetadas para captar, armazenar e infiltrar a água das chuvas diretamente no solo. Além de contribuir para a redução de alagamentos, funcionam como filtros naturais, ajudam a melhorar a qualidade da água, reduzem as ilhas de calor, ampliam as áreas verdes e favorecem a biodiversidade urbana, tornando Belo Horizonte mais preparada para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
*Com informações da PBH